Vivi por muitos anos em uma bolha, uma bolha que tinha nome e sobrenome.
Certo, perai! Vou começar mais uma vez uma nova coisa lembrando dessa fase?! Sim. Eu vou. Sabe, foi uma fase marcante (como 12 anos não seriam marcantes, eu não sei), uma fase gostosa por um lado e triste pelo outro. Voltando... Vivi na minha bolha, era legal, prazeroso, tinha amizade, tinha amor (da minha parte, mas tinha), rolava aquela paquera gostosa, aquele frio na barriga. Minha bolha era um cara, um cara que foi o meu primeiro amor, foi o meu primeiro beijo, as 13 anos, foi o homem da minha vida no auge dos meus 18. Até um certo tempo eu sofria, sofria por não tê-lo por completo, mas qual garota nunca passou por isso durante a adolescência? Por gostar do cara errado, por só querer ele, por deixar claro pro mundo que seu único amor seria ele. Chorava dia sim, dia não, as vezes dias seguidos. Ele me ignorava e quando aparecia queria toda a minha atenção, me queria por completo. Passei a investigar a vida dele, a querer saber sempre mais. Eu era amiga da família, mas isso não interferia em nada na nossa relação, eu sei separar as coisas.
Quando estávamos juntos, tudo era maravilhoso, um mar de rosas, vivíamos em perfeita sintonia. Viagens maravilhosas, noites incríveis, festas sensacionais. Até que ele resolveu me jogar no mar, sem boias, e eu não sei nadar. Começou a me desrespeitar, fazer de proposito para me machucar, e sempre vinha com desculpas para não me perder, como se eu não estivesse armazenando tudo aquilo, para que a bolha pesasse e uma hora estourasse. Gostava de gostar dele, gostava de estar com ele, isso era o que me fazia continuar por ele. Eu estava sempre disposta, ajudava em tudo que ele precisava, não pensava duas vezes. Tudo na minha vida era em função dele, cheguei a ter crises de ansiedade quando ele me ligava querendo me vê. Fiz até tratamento com um psicologo. Não posso negar que como amigo ele sempre foi maravilhoso, nunca me deixou na mão. Até que um dia, um dia não, um período, eu comecei a acordar pra vida, comecei a ver que aquilo não ia para frente, que nunca teríamos um futuro juntos, que ele não seria o pai do meu filho, que não seria o marido perfeito. Talvez ele seja para alguém, mas de uma coisa eu tenho certeza, esse alguém não sou eu. Abri mão dele, comecei a mudar a minha vida, até que a bolha estourou. Hoje somos amigos, todas as namoradas morrem de ciumes da nossa amizade, da nossa preocupação um pelo outro. Mas não passa de um bom amigo, um irmão que quero levar pra toda vida. Hoje sou feliz e agradeço a Deus por ter tido um primeiro amor que virou amigo, um primeiro amor que posso contar quando precisar. Por ter ganhado um irmão de alma.


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